Solto pelo Supremo Tribunal Federal e com o recurso para voltar a ser preso pelo TJ, ex-deputado luta para se livrar de ações penais por ocultar R$ 14,8 milhões (Foto: Arquivo)

O ex-secretário estadual de Obras e ex-deputado federal Edson Giroto é réu mais duas ações penais por lavagem de dinheiro e ocultação de R$ 12 milhões na compra de duas fazendas. A terceira ação penal foi aceita no início deste mês por não declarar R$ 2,8 milhões na construção da mansão no Residencial Damha I, em Campo Grande.

As três ações penais, que apontam a ocultação de R$ 14,8 milhões, são resultado da Operação Lama Asfaltica, da Polícia Federal. A investigação aponta a existência de organização criminosa, chefiada pelo empresário João Alberto Krampe Amorim, que teria desviado mais de R$ 200 milhões dos cofres estaduais por meio de direcionamento e fraudes em licitações na gestão de André Puccinelli (PMDB).

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Ex-deputado e esposa são acusados de ocultar R$ 2,8 milhões na construção de mansão

No início do mês, Giroto, a esposa, a empresária Rachel Rosana de Jesus Portela Giroto, e a secretária dele, Denize Monteiro Vieira Coelho, se tornaram réus por lavagem de dinheiro. Conforme a PF, ele investiu R$ 4,219 milhões na construção da mansão cinematográfica, mas declarou R$ 1,4 milhão.

Na ação penal, o ex-secretário se tornou réu 1.176 vezes pelo crime de lavagem de dinheiro na ocultação de R$ 2,8 milhões, enquanto a esposa por R$ 500 mil e Denize, R$ 300 mil.

Esta é a terceira denúncia a vir a público contra o ex-deputado. A maior parte das ações penais e criminais tanto na esfera estadual quanto federal tramitam em segredo, sem o conhecimento da sociedade.

Na primeira ação penal, aceita em 5 de julho do ano passado, Giroto é réu junto com a esposa, e o cunhado, Flávio Henrique Garcia Scrocchio, por ocultar R$ 7,630 milhões na compra da Fazenda Encantado do Rio Verde, no município localizado a 207 quilômetros de Campo Grande.

A propriedade se chamava Nova Prata e teve o nome trocado após ser adquirida em nome de Flávio Scrocchio em 2015. A primeira parcela foi paga com a transferência de um imóvel no Bairro Vivendas do Bosque, na Capital, avaliado em R$ 1,5 milhão.

Em depoimento à Polícia Federal, o antigo proprietário revelou que vendeu a área para Giroto e o cunhado.

A forma de pagamento foi revelada com a apreensão de documentos na Terrasat, empresa supostamente de Flávio. Ele fez as transferências para quitar a segunda e terceira parcelas, respectivamente, de R$ 2 milhões e R$ 1 milhão. A empresa desembolsou R$ 4,925 milhões pela propriedade.

No total, conforme a investigação, Giroto pagou R$ 7,6 milhões pela fazenda, mas declarou R$ 2,5 milhões no cartório de Rio Verde do Mato Grosso.

A segunda ação penal é pela ocultação de R$ 4,385 milhões na compra da Fazenda Maravilha, em Corumbá. Ele e o ex-deputado e engenheiro da Agesul, Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano, são acusados de lavagem de dinheiro.

Eles teriam usado a filha e a esposa de Mariano, respectivamente, Mariane Mariano de Oliveira Dornellas, e Maria Helena Miranda de Oliveira, para comprar a propriedade.

Além dos quatro, o marido de Mariane, o arquiteto João Pedro Figueiró Dornellas, que fez os depósitos nas contas da esposa e sogra, também é réu neste processo.

Giroto chegou a ficar mais de 40 dias preso, mas conseguiu ser liberado graças ao habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal.

No início deste semestre, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul negou recurso do MPE para que o ex-deputado voltasse a ser preso.

A Operação Lama Asfáltica tramita a passos lentos em Mato Grosso do Sul e esbarra, principalmente, na morosidade do Poder Judiciário.

A investigação começou em 2013, mas foi suspensa porque Giroto era deputado federal e tinha foro privilegiado. A investigação só começou a ter resultado após ele e André Puccinelli ficarem sem foro privilegiado.

No entanto, até o momento, dois anos após o escândalo, não houve absolvição nem condenação de nenhum suspeito de integrar o mega esquema de corrupção, que teria desviado mais de R$ 200 milhões dos cofres públicos.