Centenas de pessoas participaram de protesto contra a morte de menina por falta de soro, que é distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde (Foto: Divulgação)

A Secretaria Estadual de Saúde abriu procedimento para investigar a falta de soro para picada de escorpião, que causou a morte de Pietra Teixeira do Nascimento, 9 anos, na madrugada de sexta-feira em Aparecida do Taboado, a 457 quilômetros de Campo Grande.

Em nota, o órgão confirmou que o soro é distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde a todos os municípios. “O soro é encaminhado pelo Ministério da Saúde, repassado pelo Estado e está disponível em todos os serviços de referência, não podendo ser adquirido pelo mercado”, destacou.

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A garota dormia com a avó, quando às 4h30 de quinta-feira, foi picada por escorpião e encaminhada pelo pai, Patrick, ao hospital municipal, que não tinha o medicamento indicado. De acordo com a bacharel em Direito, Cláudia Pereira, 35, por duas horas, a equipe só ministrou medicamentos para dor e vômito.

Desesperado, o pai pegou a filha e levou por conta própria ao hospital de Santa Fé do Sul (SP), que fica a 29 quilômetros, onde tinha o soro. No entanto, devido a demora, o veneno do escorpião atingiu órgãos fundamentais e a criança morreu na madrugada de sexta-feira.

O fato revoltou os moradores. Cerca de 200 pessoas, entre familiares e amigos, fizeram manifestação pelas ruas da cidade para pedir justiça e mais investimento na saúde.

“A Secretaria de Estado de Saúde vai investigar todo o processo de atendimento realizado para a paciente de 9 anos no município de Aparecida do Taboado”, informou. Na região, as referências no atendimento de picadas de animais peçonhentos são unidades de saúde de Paranaíba e Três Lagoas.

No entanto, na nota, a secretaria não informa que recomendações foram feitas já que o hospital daquela cidade não tinha o soro.

Todo o atendimento de saúde em Aparecida do Taboado, com 25 mil habitantes, está sob o comando do município. A Santa Casa sofreu intervenção do município, já sob o comando do prefeito José Robson Samara Rodrigues de Almeida, o Robinho (PSB), e todas as unidades são administradas pela FESAT (Fundação Estatal de Saúde de Aparecida do Taboado).

Pietra foi a segunda filha que a dona de casa Mara Teixeira perdeu por falta de estrutura no serviço público de saúde de Aparecida.

Além de caótica, a nova gestão só agravou o problema de saúde no município. O Ministério Público Federal recorreu contra a terceirização e conseguiu o bloqueio de R$ 1,2 milhão em bens do prefeito e mais R$ 552 mil do ex-secretário municipal de Saúde, Luciano Aparecido da Silva.

Há outras denúncias de pacientes que morreram por falta de estrutura nos hospitais da cidade. Idosos são obrigados a recorrer à Justiça para obter remédicos que são fornecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A morte de Pietra causou indignação da sociedade sul-mato-grossense, mas não sensibilizou os vereadores do município.