Parlamentares apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) voltaram a convocar seus eleitores para irem às ruas no feriado da Independência, 7 de setembro, que neste ano cai em um domingo. Os protestos devem ocorrer em todo o País e ganharam impulso com o indiciamento do ex-presidente pela Polícia Federal no inquérito que investiga coação no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.
Nas investigações, a PF identificou R$ 44,28 milhões em créditos nas contas de Bolsonaro, de março de 2023 a junho de 2025. De acordo com os dados divulgados, o ex-presidente teria recebido R$ 20 milhões só no Pix. O julgamento da ação penal da tentativa de golpe, com início marcado para a próxima terça-feira, 2 de setembro, também deve impulsionar os atos.
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Líderes da extrema direita convocam apoiadores para atos ligados a movimentos como “Fora Moraes” e “Anistia já”. Nas redes sociais, o pastor Silas Malafaia lidera o movimento “Reaja, Brasil”. O principal ato será em São Paulo. O evento na avenida Paulista está marcado para as 15h. Em Mato Grosso do Sul, a convocação é liderada pelo deputado federal Rodolfo Nogueira, o Gordinho do Bolsonaro (PL).
As pautas são a anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro, a liberdade religiosa e de expressão e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além da tensão prevista para o 7 de setembro, com o início do julgamento de Jair Bolsonaro cinco dias antes, o vazamento do relatório da PF e a operação contra o pastor Silas Malafaia, aumentam a pressão.
Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o pastor convoca para o evento. “No 7 de setembro em todo o Brasil, o povo brasileiro vai dar uma resposta a esse ditador. Na avenida Paulista a partir das 15h. Deus livre o Brasil desse gente má, injusta e perversa”, disse Malafaia.
A gravação foi compartilhada por Rodolfo Nogueira e pelo ex-deputado estadual Capitão Contar, na semana passada. Como de praxe, a manifestação deve se concentrar no entorno da Praça do Rádio, região central de Campo Grande, e prosseguir pela Avenida Afonso Pena.
Nesta quinta-feira (28), a influente revista britânica “The Economist” divulgou sua capa desta semana, que estampa Jair Bolsonaro com o rosto pintado com as cores do Brasil e com um chapéu igual ao que usava o “viking do Capitólio”, um dos apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ficou conhecido por ter participado assim da invasão ao Congresso americano em 6 de janeiro de 2021.
Com o título “Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática”, o editorial descreve a condução do processo penal contra Bolsonaro e seus aliados como uma “fantasia da esquerda americana”.
A revista britânica descreve ainda Jair Bolsonaro como “polarizador” e o “Trump dos trópicos” e afirma que o ex-presidente brasileiro e “seus aliados, provavelmente, serão considerados culpados” pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda segundo o texto, o plano contra a democracia brasileira pelo qual Bolsonaro é acusado “fracassou por incompetência, e não por intenção”.