Crítico da filiação do irmão, Fábio Trad, ao PT, o senador Nelsinho Trad (PSD) já votou em petista e ainda foi coordenador da campanha pela eleição da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010. Na época, prefeito de Campo Grande, ele se orgulhava da boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar do pai, Nelson Trad, ter atuado contra a ditadura militar, ter sido cassado e até preso, o senador passou a propagar que a família sempre atuou no campo da direita. “A gente sempre disputou eleição contra esse campo. Então ele está virando as costas a tudo isso”, afirmou o ex-prefeito da Capital no dia 22 deste mês.
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De flete com o bolsonarismo, em busca de apoio pela reeleição no Senado, Nelsinho Trad ocultou parte do passado. Em 2010, quando estava no segundo mandato de prefeito de Campo Grande, ele não só apoiou, como foi o coordenador da campanha de Dilma Rousseff em Mato Grosso do Sul.
“Meu voto à Dilma é por amor a essa morena”, afirmou ao votar no segundo turno, no dia 31 de outubro de 2010, conforme registros feitos pelos jornais na época (confira aqui). Com a Capital embalada pelas obras do PAC, Nelsinho chegou a viajar em avião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Brasília para Três Lagoas (veja aqui).
O MDB, na época, indicou o candidato a vice-presidente, Michel Temer. Ele veio em Campo Grande para um ato de campanha no Rádio Clube Campo. “Dilma representa a melhoria dos municípios. O projeto de proposta dela é o melhor para o Brasil”, defendeu Nelsinho.
“Espero que nossa candidata vença para que ela honre os R$ 450 milhões [do PAC] que serão investidos aqui em Campo Grande. Tenho certeza que a vitória dela é a continuidade do governo Lula e será melhor para todos os municípios tanto de Mato Grosso do Sul quanto para todo o País”, defendia Nelsinho Trad, defensor ardoroso da candidata petista. (confira essa outra)
Ele chegou a prever o caos com a eleição do adversário, o ex-ministro da Saúde, José Serra (PSDB). “Se isso acontecer será um retrocesso nos projetos que estão sendo executados e naqueles que deveriam ser no Brasil””, profetizava.
Em 2010, Dilma também teve o apoio do atual deputado federal Beto Pereira, que pode trocar o PSDB pelo PL de Jair Bolsonaro para deixar claro ser um político de direita. Na época, o tucano era prefeito de Terenos e presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul).
Agora, Nelsinho chega a se gabar que nunca esteve no mesmo campo do PT. Ele está de olho no voto dos bolsonaristas, que representam uma parcela expressiva do eleitorado. Não é o único a esquecer o passado. O deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP) fez carreira política no PPS, atual Cidadania e antigo Partido Comunista do Brasil. Ex-comunista, ele tem feito a carreira política pregando contra o comunismo e com elogios aos Estados Unidos.
Fábio Trad se filiou oficialmente ao PT neste sábado. Recebido com grande festa pelos petistas, o ex-deputado federal afirmou que o objetivo é ajudar na reeleição de Lula e como candidato a deputado federal. No entanto, a cúpula petista e os filiados sonham com ele disputando o Governo do Estado.