O Orçamento da Prefeitura de Iguatemi, cidade com 13,9 mil habitantes no sul de Mato Grosso do Sul, é de R$ 134 milhões para este ano. O valor representa “troco de pinga” diante da fortuna movimentada pelas sete distribuidoras de combustíveis supostamente usadas para lavar dinheiro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) instaladas no município, localizado a 412 quilômetros de Campo Grande.
A cidade ganhou destaque nacional com a deflagração da Operação Carbono Oculto, maior ofensiva da história da Receita Federal do Brasil contra o crime organizado no País. Com ajuda da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo, a investigação desvendou que o PCC movimento R$ 52 bilhões em quatro anos, entre 2020 e 2024, por meio de uma rede de distribuidoras e postos de combustíveis e fintechs.
Veja mais:
Empresa de Dourados e dois da Capital são investigados em fraude de combustíveis do PCC
Núcleo do PCC em MS tinha sete distribuidoras, irmão do chefe e evolução espetacular
Megaoperação contra uso de postos de gasolina pelo PCC mira oito empresas de MS
Só a Máximus Distribuidora de Combustíveis, movimentou R$ 3 bilhões no ano passado, conforme a quebra do sigilo bancário. Essa receita é 2.238% superior a receita da prefeitura. Ou três vezes superior ao PIB (Produto Interno Bruto) da cidade em 2021, que foi de R$ 1,1 bilhão, de acordo com o IBGE.
A outra distribuidora, Start Petróleo, movimentou R$ 2,239 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano. O montante é 17 vezes maior que a receita da Prefeitura de Iguatemi.
Outra empresa, a Império Comércio de Petróleo, nunca pagou imposto, mas pediu ressarcimento de R$ 618,2 milhões do PIS/Pasep. O valor é cinco vezes o valor arrecadado pelo município em um ano.
No total, de acordo com a investigação, sete distribuidoras atuam na Rodovia da Balsinho, km 18, na zona rural de Iguatemi, e são usadas para lavar dinheiro do PCC. Uma delas, a Safra, é comandada por Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, apontado como o cabeça do esquema financeiro da organização criminosa.
A Operação Carbono Oculto cumpriu 350 mandados de busca e apreensão em oito estados.